SINAPI · junho 2026

Custo da construção tem a maior alta desde 2022: o que muda para obras e revestimentos

O custo nacional da construção acelerou em 2026 e os materiais tiveram a maior alta do ano. Veja o que muda para obras, orçamentos e a escolha de revestimentos.

Equipe Técnica Hazzin

Equipe Técnica Hazzin

Publicado em · 8 min de leitura

Dois engenheiros analisam a planta de uma obra ao entardecer, com sacos de cimento, baldes e perfis de aço empilhados no canteiro

O custo da construção brasileira acelerou 1,19% em junho de 2026, maior resultado observado desde agosto de 2022 — com exceção de janeiro deste ano, quando houve o efeito da reoneração da folha de pagamento. Os materiais registraram a maior alta mensal de 2026, e o custo médio nacional chegou a R$ 1.976,37 por metro quadrado.

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 10 de julho confirmam uma pressão que já vinha sendo sentida nos orçamentos: construir, reformar e manter instalações está mais caro. Para empresas e profissionais, isso muda a forma de comprar materiais. O menor preço por embalagem pode deixar de ser economia quando exige mais demãos, gera desperdício ou provoca retrabalho.

Em pisos e revestimentos industriais, a análise precisa ir além do valor da lata. Rendimento real, preparação da superfície, espessura, tempo de parada e vida útil do sistema determinam quanto a obra realmente custará.

Os dados

O que os dados mais recentes mostram?

De acordo com o SINAPI divulgado pelo IBGE, o Índice Nacional da Construção Civil avançou 1,19% em junho, contra 0,36% em maio. No acumulado de 2026, a alta chegou a 4,48%; em 12 meses, a 7,26%.

O custo médio nacional passou de R$ 1.953,08/m² em maio para R$ 1.976,37/m² em junho, dividido entre:

  • R$ 1.114,74/m² em materiais;
  • R$ 861,63/m² em mão de obra.

A parcela dos materiais aumentou 0,92% no mês, maior taxa de 2026. A mão de obra avançou 1,55%, também a maior variação do ano.

Santa Catarina ficou acima da média nacional

Em Santa Catarina, onde está localizada a fábrica da Hazzin, o custo médio atingiu R$ 2.239,56/m² em junho. O estado registrou alta mensal de 1,81%, acumulando 4,67% em 2026 e 6,92% nos últimos 12 meses.

O valor do SINAPI é uma referência estatística e não representa o preço exato de toda obra. Tipologia, localização, padrão de acabamento, produtividade e especificações técnicas alteram o orçamento. Ainda assim, o movimento do índice mostra claramente a direção dos custos.

Custo nacional da construção de R$ 1.976,37 por metro quadrado em junho de 2026 segundo o SINAPI do IBGE
Custo nacional da construção em junho de 2026. O custo médio nacional chegou a R$ 1.976,37/m² em junho de 2026. Fonte: SINAPI/IBGE.

Por que os materiais estão ficando mais caros?

A alta não vem de um único ponto. Combustíveis, fretes, energia, mão de obra e insumos industriais passaram a pressionar diferentes etapas da cadeia.

Uma análise do FGV IBRE publicada em abril identificou reajustes já implementados ou em processo de implementação em cinco grupos: minerais não metálicos, plásticos e PVC, tintas e químicos, materiais metálicos e revestimentos.

No grupo de tintas e químicos, o estudo apontou reajustes projetados em torno de 10%, relacionados ao encarecimento de solventes, resinas e logística. O efeito pode aparecer de forma defasada porque esses produtos costumam entrar nas etapas finais da construção — inclusive em projetos que já estão em andamento.

A CBIC também destacou que o custo dos materiais e equipamentos havia aumentado 1,38% em abril, em um cenário de combustíveis e derivados de petróleo mais caros.

A obra já começou. O que fazer agora?

Quando os preços sobem durante a execução, cortar etapas técnicas parece uma saída rápida, mas frequentemente transfere o custo para o futuro. Em revestimentos, economizar no preparo, reduzir a quantidade recomendada ou acelerar a aplicação pode causar perda de aderência, bolhas, desgaste precoce e repintura.

A estratégia mais segura é eliminar desperdícios que não agregam desempenho.

Estratégia 1

Compare o custo por metro quadrado, não o preço da embalagem

Duas tintas vendidas pelo mesmo valor podem ter rendimentos muito diferentes. Para comparar corretamente, considere:

  • peso ou volume útil do kit;
  • consumo recomendado por metro quadrado;
  • número de demãos;
  • necessidade de primer, niveladora ou verniz;
  • perdas previstas durante mistura e aplicação;
  • estado e porosidade da superfície.

A Tinta Epóxi Hazzin, por exemplo, possui kit de 18 kg com rendimento de referência de aproximadamente 180 m² por demão, dependendo da condição da base e do consumo aplicado. O orçamento correto deve calcular o sistema completo e a quantidade de demãos previstas.

Conta básica de rendimento

Quantidade necessária = área total × consumo por m² × número de demãos

Depois, acrescente uma margem compatível com textura, porosidade, recortes e perdas da obra. O valor exato deve seguir a ficha técnica do produto.

Estratégia 2

Escolha entre epóxi 90% e 100% sólidos pela necessidade real

Mais sólidos significam que uma parcela maior do produto permanece sobre o piso após a cura. Isso não torna automaticamente um sistema melhor para qualquer situação, mas muda espessura, odor, resistência e custo.

Escolher o sistema 100% sólido onde uma pintura de baixa espessura atenderia pode elevar o investimento sem necessidade. Usar uma solução leve em tráfego severo pode gerar manutenção antecipada. Economia é adequação técnica.

Estratégia 3

Trate o preparo da superfície como parte do revestimento

O revestimento não corrige sozinho uma base fraca. Antes da aplicação, é necessário avaliar:

  • resistência e cura do concreto;
  • presença de umidade;
  • contaminação por óleo ou graxa;
  • nata de cimento;
  • trincas, buracos e juntas;
  • pintura antiga sem aderência;
  • cerâmica ou porcelanato muito lisos.

Pisos porosos podem exigir primer para controlar absorção e melhorar a aderência. Superfícies lisas devem receber preparo mecânico ou um primer de aderência compatível. Trincas e falhas precisam ser reparadas antes da pintura.

Pular essa etapa não reduz o custo do sistema: apenas aumenta a possibilidade de ele se soltar junto com a camada superficial da base.

Estratégia 4

Evite comprar produto demais — e também produto de menos

Excesso de material imobiliza dinheiro e pode terminar fora do prazo de uso. Falta de produto no meio da aplicação, por outro lado, causa emendas, diferenças de acabamento, perda de produtividade e novo frete.

O levantamento deve separar:

  1. 1

    Área efetivamente revestida

    a metragem real que receberá o sistema.

  2. 2

    Consumo de cada camada

    primer, tinta e acabamento têm consumos distintos.

  3. 3

    Número de demãos

    definido pela ficha técnica e pela exposição.

  4. 4

    Perdas prováveis

    textura, recortes e mistura consomem material.

  5. 5

    Tamanhos de kits disponíveis

    arredondar para a embalagem evita sobra e falta.

Em sistemas bicomponentes, também é importante respeitar a vida útil da mistura. Preparar uma quantidade maior do que a equipe consegue aplicar dentro do tempo disponível pode endurecer produto no recipiente e transformar material comprado em descarte.

Estratégia 5

Calcule o custo da paralisação

Para uma fábrica, oficina, estacionamento ou centro logístico, o valor da tinta é apenas uma parte do investimento. Uma área interditada pode interromper produção, circulação ou atendimento.

Antes de especificar o sistema, considere:

  • tempo de preparação;
  • intervalo entre demãos;
  • liberação para tráfego leve;
  • cura total;
  • possibilidade de dividir a execução por setores;
  • horário e temperatura de aplicação.

Um sistema que custa menos por quilo, mas exige mais etapas e mais dias de interdição, pode terminar mais caro para a operação.

Não faça

Sete erros que destroem o orçamento de um piso epóxi

01

Medir somente a área principal

Rodapés, rampas, faixas, pilares e recortes também consomem material e mão de obra.

02

Usar rendimento de superfície lisa em concreto poroso

Quanto maior a absorção e a irregularidade, maior pode ser o consumo.

03

Alterar a proporção dos componentes

Adicionar mais endurecedor não garante cura mais rápida. Em sistemas bicomponentes, a proporção incorreta compromete a reação e pode inutilizar o material.

04

Aplicar sobre umidade sem sistema compatível

A umidade pode provocar bolhas, perda de aderência e falhas prematuras.

05

Ignorar o intervalo entre demãos

Aplicar cedo ou tarde demais pode prejudicar cura e aderência entre camadas.

06

Não planejar a sequência da equipe

Mistura, distribuição e aplicação precisam acontecer dentro da vida útil do produto preparado.

07

Comprar apenas pelo menor preço

Preço por embalagem não revela rendimento, quantidade de etapas, desempenho nem custo de manutenção.

Como montar um orçamento mais protegido contra altas de preços

Para reduzir surpresas, o orçamento deve trazer pelo menos cinco blocos separados:

BlocoO que incluir
PreparaçãoLimpeza, lixamento, fresagem, reparos e tratamento de umidade
MateriaisPrimer, niveladora, tinta, verniz, diluentes e consumíveis
AplicaçãoEquipe, equipamentos, EPIs e descarte adequado
ParalisaçãoPerda operacional ou execução dividida por setores
Reserva técnicaMargem para absorção, textura, recortes e imprevistos reais

Também é recomendável registrar a validade da proposta e confirmar preços e disponibilidade antes de iniciar a preparação da área.

Com materiais em alta, eficiência deixa de ser detalhe

Os dados de junho mostram que a pressão dos custos não é apenas uma projeção. Ela já chegou aos índices oficiais, aos fornecedores e aos canteiros.

Isso não significa que toda obra deva escolher o produto mais barato ou o sistema mais caro. Significa que cada decisão precisa ser sustentada por rendimento, compatibilidade, durabilidade e produtividade.

Em pisos epóxi, a maior economia costuma nascer antes da abertura da embalagem: na medição correta, no diagnóstico da base e na escolha de um sistema proporcional ao uso do ambiente.

Equipe Técnica Hazzin

Escrito pela

Equipe Técnica Hazzin

Fabricante de revestimentos epóxi em Itajaí (SC) · Revisado em

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre custo e rendimento

Quanto custa o metro quadrado da construção em 2026?

Segundo o SINAPI/IBGE, o custo médio nacional foi de R$ 1.976,37/m² em junho de 2026. Esse é um indicador estatístico. O custo de uma obra específica varia conforme região, padrão, projeto, mão de obra e materiais.

Por que os materiais de construção aumentaram em 2026?

Entre os fatores estão custos de energia, combustíveis, fretes, mão de obra e insumos industriais. Produtos ligados às cadeias petroquímicas, como plásticos, solventes, resinas, tintas e químicos, apresentam sensibilidade a essas variações.

Como calcular a quantidade de tinta epóxi para piso?

Multiplique a área pelo consumo recomendado por metro quadrado e pelo número de demãos. Acrescente uma margem compatível com porosidade, textura, recortes e perdas. Use sempre o consumo informado na ficha técnica.

Tinta epóxi 100% sólida rende mais que a de 90%?

Uma formulação 100% sólida mantém praticamente toda a camada aplicada após a cura, enquanto a de 90% perde uma pequena parcela de componentes voláteis. Contudo, rendimento e custo dependem da espessura especificada, da superfície e do sistema completo.

O que mais encarece uma pintura de piso?

Preparação inadequada, umidade não tratada, medição incorreta, desperdício da mistura, paralisação não planejada e escolha de um produto incompatível estão entre as principais causas de retrabalho e aumento do custo.

O desperdício ficou ainda mais caro.

Com materiais em alta, comparar revestimentos pelo custo real do sistema protege o orçamento. Gostou do conteúdo? Compartilhe e siga a Hazzin.